O problema é que com o sonho vem aquele blue. Aquela pontinha do impossível que todo mundo quer. Quem nunca tentou voltar pra a fábrica de chocolates ou pra pintar a cara daquele alguém que não existe de sorvete? Quando se é criança, o sonho é talvez mais presente do que a realidade, ou existe uma harmonia perfeita entre os dois. É muito bom, isso não tem discussão, mas até que ponto faz mal ter um mundo paralelo aonde você pode voar, ser correspondido ou o Power Ranger vermelho? Em algum momento a balança se desequilibra e a realidade chega martelando um ostinato insuportável e ensurdecedor. E ela chega para todos, até mesmo Alice. Mas a mim ainda não. Freud explica, Lacan questiona, e eu? Espero o Mercador de Areia com seu saco de stardust e vou aonde a realidade é feita não de matéria, mas de pontos de vista, imagens, memórias, jogos de palavras e esperanças perdidas.


=)
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