segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O sonho eu mesmo carrego!

Afinal de contas, feliz é quem sonha ou quem tem o pé no chão? Se Quixote não sonhasse, não haveria Dulcinéia, mas em contrapartida não sofreria por um amor idealizado. Já em Casablanca, a memória toma conta da realidade apesar da plena condição e consenso de ambas as partes, e as time goes by ninguém enjoa da cara do outro. O irônico é que é uma idealização sobre a idealização, porque na realidade, they'll always have Casablanca, Paris já passou há muito tempo.

O problema é que com o sonho vem aquele blue. Aquela pontinha do impossível que todo mundo quer. Quem nunca tentou voltar pra a fábrica de chocolates ou pra pintar a cara daquele alguém que não existe de sorvete? Quando se é criança, o sonho é talvez mais presente do que a realidade, ou existe uma harmonia perfeita entre os dois. É muito bom, isso não tem discussão, mas até que ponto faz mal ter um mundo paralelo aonde você pode voar, ser correspondido ou o Power Ranger vermelho? Em algum momento a balança se desequilibra e a realidade chega martelando um ostinato insuportável e ensurdecedor. E ela chega para todos, até mesmo Alice. Mas a mim ainda não. Freud explica, Lacan questiona, e eu? Espero o Mercador de Areia com seu saco de stardust e vou aonde a realidade é feita não de matéria, mas de pontos de vista, imagens, memórias, jogos de palavras e esperanças perdidas.



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